quinta-feira, maio 31, 2007

Essa, meu deus, não é um bicho,
nem um mostro de estorinhas de criança - que assombram e dã pesadelos -
Essa, meu deus,
sou eu.

sábado, maio 26, 2007

Não solta a minha mãe
Não me solte em um abismo sufocante
Nao me deixe só.
Não agora.
Escuta,
sinta meu corpo
ele ferve
ele treme
É o medo
É puro medo

Não vê que me estou entregue
Nua, sem armaduras?
Não vê que isso é só para você?
Não vê que é só para você que me desarmo?
Não vê que é só por você que eu choro?

Escuta:
Eu já te falei
Nosso caminho é perigoso
E eu tenho medo.

Mas não solte a minha mão.
Não agora.

Me abraçe
Me beije
Chore na minha frente.

Eu estou nua
Exposta
E você?
Não vai tirar a sua couraça?

Vem
Vem caminhar comigo

Me abraça.
Faz frio
Muito frio sem você.

sábado, maio 12, 2007

De tarde quero descansar,
chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
Quando vejo o mar
Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?
- Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

domingo, maio 06, 2007


Por que às vezes a gente tem que colocar
Nariz de palhaço.

quinta-feira, maio 03, 2007


Eu não quero mais bancar a forte,
nem a independente,
nem a que se vira bem.

Chega.
Quero ser a indefesa,
A frágil,
A mediocre de 19 anos,
A que precisa de ajuda e cuidado.
Aprendi que se cuidar demais é muito pesado
E eu tenho medo
Medo de crescer mais do que estou crescendo
E ter que pegar cada vez mais peso.
Eu só encontro mala pesada para carregar
Sozinha.
É metira, uma grande mentira,
Que dou conta das coisas,
Que me viro bem.
Eu minto.
Eu sou uma mentira.
Uma grande mentira fedorenta.
Eu grito
Um grito estridente e agonizante
Um grito silenciosamente dolorido.
É que a vida pisa no meu pé
E dói.
Dói muito.
Chega uma hora que não consigo mais daçar.



terça-feira, maio 01, 2007

O espírito pesado quer coisas mais pesadas - até que ponto que alguenta?

*
Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E nesses dias tão estranhos
Fica poeira se escondendo pelos cantos

Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez sempre é a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - nós não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia

Nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir.

Vamos sair nós não temos mais dinheiro
Meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como a dez anos atrás
E cada hora que passa envelhecemos dez semanas.
Vamos lá tudo bem eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.

segunda-feira, abril 30, 2007

"Se você quisesse ia ser tão legal, acho que eu seria mais feliz do que qualquer mortal"


Pela (eterna) busca de um outro que só se encontra na gente mesmo.
E pelo esse nosso Eu que nunca se encontra em si mesmo.
Nunca.
[Pelos Thitis, Wills, Vitors e Alexs.;
Pelos amigos de longa data, que ficaram naquela data que nem tão longa é assim;
Pelos amigos que são vizinhos e só se falam no Natal - quando não dá ocupado.
Pelos sorrisos espalhados pelo ar rarefeito de uma cidade metropolitana
Pela mediocridade, principalemente pela Minha ridícula e nojenta mediocridade ]

domingo, abril 29, 2007

And if I can't hang on anymore? What could you do to save me?
Would you hold my hand and tell me that everything is all rights?
Please, tell me "everything is all right".

sábado, abril 28, 2007

Eu queria poder ter o direito de enlouquecer. Enlouquecer, esquecer de tudo e todos. Sair pelo mundo a procura de qualquer coisa que me fizesse um pouco menos vazia.
Eu queria perder a cabeça, descer a ribançeira, tropeçar, sair por aí, sem rumo, sem identidade, sem celular.
Tudo, tudo e tudo que eu tenho me sufoca, me faz encolher cada vez mais.
Meu corpo, meu armário, minha casa, meus livros. Minhas coisas não são eu e eu não sou coisa alguma.
Andando pela vida sozinha como um errante em meio as montanhas, eu sinto um nó na garganta, meu corpo enfraquecido, as pálpebras pesadas, o estomago doendo.
Sou qualquer Coisa indecodificável e vulnerável.
Sou aquela que quer quebrar os espelhos quando se depara frente a ele.
Aquela que sorri, desfarça, mas sangra.
Eu não quero mais viver. Eu quero ter o direito de não viver, pelo menos por um tempo.
Chega de tudo.
Chega de perda, fracasso, falsidade, insegurança, solidão.
Pra que vale a vida, então?!


Pra que

pra que chorar
pra que mentir
pra que morgar
pra que fugir
só queria que todos
tivessem comida
tivessem oportunidade
tivessem guarida
não precisassem rezar
pedindo melhores dias
reclamando migalhas
vivendo só de agonia
pra que chorar
pra que mentir
pra que morgar
pra que fugir
já que tão poucos
põem o rei na barriga
gritando guerras e leis
forjando a morte da vida
já que nem eunem o diabo tem pressa
de pouco vale a conversa
só encarando essa briga
(Luiz Melodia e Ricardo Augusto)

sexta-feira, abril 27, 2007

Que vida é essa?
...E ainda tem gente que é feliz nesse mundo....
Tanta miséria,
Tanta tragédia,
Tanta fome,
Tanto desrespeito ao ser humano,
Tanta desumanidade,
Tanta violência.
Como alguém consegue ser feliz no meio de tudo isso?
Que merda de mundo é esse?

quinta-feira, abril 26, 2007

O peso da vida sobre as minhas costas
Me fazem andar mais devargar.
Passo a passo.
Rua por rua.

Mas ando cansada
Demasiadamente cansada
Desse peso de vazio constante,
Dessa falta de amor próprio
Dessa auto-estima esburacada.

De tão cansada
Tão consada mesmo
Acho que não vou mais aguentar.
Está muito pesado.
Preciso dividir.


Caleidoscópio


Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa

Quem vai pagar as contas deste amor pagão
Te dar a mão, me trazer à tona prá respirar
Quem vai chamar meu nome
Ou te escutar

Me pedindo prá apagar a luz
Amanheceu, é hora de dormir
Nesse nosso relógio sem órbita
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Prá gente não ter nunca mais que terminar

(Herbert Vianna)

quinta-feira, abril 19, 2007




Eu vi.
Eu vi
Caiu uma lágrima dos olhos dele.
Uma lagrima ardida e sofrida
Espremida e tímida.
Era a lágrima dele
Que viria a ser a minha também.
Lágrima de vida presa na garganta.


Menina , amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.
Na hora ninguém escapa
de baixo da cama ninguém se esconde
e a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens vai
desabar sobre os homens.
Menina, ela mete medo
menina, ela fecha a roda
menina, não tem saídade cima, de banda ou de lado.
Menina, olhe pra frente
menina, tome cuidado
não queira dormir no ponto
Segure o jogo
atenção (de manhã)
Menina a felicidade
é cheia de graça
é cheia de lata
é cheia de praça
é cheia de traça.
Menina, a felicidade
é cheia de pano,
é cheia de pena
é cheia de sino
é cheia de sono.
Menina, a felicidade
é cheia de ano
é cheia de Eno
é cheia de hino
é cheia de ONU.


Menina, a felicidade
é cheia de an
é cheia de en
é cheia de in
é cheia de on.
Menina, a felicidade
é cheia de a
é cheia de e
é cheia de i
é cheia de o.

(Tom Zé)

domingo, abril 01, 2007

Estava em algum lugar quando saí e me esqueci lá.
Isso já faz tempo
- muito tempo -
Tempo da leveza e felicidade quase que plena
Tempo dos meus avós,
Da minha infância.

Tempo em que confiança era primissa primeira
E que as pessoas se olhavam nos olhos e se abraçavam
Sem parecerem demodé
- ninguém fazia questão de ser blasé -

Fiquei em algum canto, quem sabe
Brincando com borboletas
Correndo,
Caindo
E pegando bicho de pé.

Esqueci-me faz muito tempo
E há muito tempo venho me procurando
- em vão -

Eu alguma vez devo ter sido,
Mas, na verdade, acho que nunca fui
Eu.
Mesmo assim continuo (não) sendo

domingo, março 25, 2007

Nos dias em que estão nublados,
Nos dias em que há trovão,
Nos dias que se arrastam com o peso de uma corrente de ferro,
Um desses dias eu ganhei um presente.

Cada lugarzinho,
Cada árvore,
Cada folha caída do céu
Tudo
Tudo tomou outro significado
Na minha tão desgastada e angustiante cidade.

O caminho que faço todo dia,
Os bares que vou todo final de semana,
A rua que passo com a bolsa pesada de livros e conhecimentos,
Os trabalhos torturantes,
Tudo
Tudo tomou outro significado.

É disso que precisamos: reinventarmos o mesmo.

Dentre tantas notícias ruins,
Dentre tantos pensamentos negativos,
Dentre tanta amargura pela vida,
Dentre tanto vazio e transbordamento,
Esse foi um grande presente que ganhei nesse semana.

É disso que eu preciso: reinventar a mim mesma.

Reinventar uma outra Fabi.
Uma Fabi menos chata,
Menos pesada,
Menos reclamona,
Menos solitária,
Menos deprimida,
Menos insuportável,
Menos temperamental,
Menos ansiosa.

Reinventar uma Fabi que seja sociável,
Que deixe a vergonha e a auto-crítica de lado.

Eu preciso reinventar a mim mesma
- por amor próprio-
-sabe-se lá onde está -

sexta-feira, março 23, 2007

3 anos

Tanto medo sem seu colo,
Tanta preocupação sem suas palavras acalentadoras,
Tanto sorriso sozinho sem você,
Tantas conquistas
Tantas coisas sem você.
Tantas.
Tanto tempo se passou.
Hoje a gaita tocou.
Ontem um qualquer da esquina me lembrou você.
O que será que faço para tapar esse vazio, esse buraco que você deixou?
As vezes parece que o mundo é pouco para mim
As vezes parece que ninguem consegue me fazer completa.

quarta-feira, março 21, 2007

If you look on your right you'll see that something is wrong!!

O que é menos pior: uma filha da puta conhecida ou uma desconhecida?
Vanessinha sexy machine na minha faculdade.
Pouca merda é pouco.
Na cabeça algumas musicas:
"quero ver se vc tem juízo ou se vai encarar"
ou, melhor
"life is for living and I don't wanna live it alone"
ou, mais perfeito ainda
"when I was cutting up my demons, I saw it was one for everyday."

domingo, março 18, 2007




"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento.Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta."
(Clarice Lispector)
Não duvido de nada, além de mim mesma.
Eles são capazes de tudo (e mais um pouco!).

sábado, março 17, 2007


Pelas ligaçõs nunca feitas;

Pelas saídas canceladas;

Pelo sumiço nas horas cruciais;

Pelas chamadas não atendidas;

Pelas mensagens não respondidas;

Pelos colegas ditos amigos;

Pela tristesa repentina;

Pelos caminhos tortuosos sem fim;

Pela solidão incurável.

quarta-feira, março 14, 2007

Para aqueles, como eu,
Que caminham em busca de alguma coisa
E sabe-se lá o que.
Para aqueles que caminham
E a solidão é a única companhia.
Para todos esses ETs as vezes
-raras vezes, pelo menos isso -
Teimam em acreditar na raça humana,
Em cair nas suas charadas,
Em gritar ao vão para ela.
A todos esses tolos,
Bobos,
Intensos
e
Solitários
ETs.